quarta-feira, 20 de junho de 2012

Surpresa

Se você não consegue enxergar as nuances multicoloridas escondidas nas entrelinhas dos dias turvos, você provavelmente também não conseguirá perceber que a vida é um poço aberto de contradições.

O paradoxo da vida, de ser tão incrivelmente triste e ao mesmo tempo presentear-nos com a felicidade. 

A felicidade está nos mínimos espaços, nos mais impensáveis lugares.

As vezes concedida em poucas doses. As vezes percebida com muito esforço. As vezes desapercebida. 

Olhos tão ocupados. Corações tão magoados. Todos os sentidos destreinados pela rotina, deixam de sentir a beleza intrínseca na existência.

Ontem eu chorei, hoje eu sorri. Isso, para quem consegue ver, é uma dádiva do destino. Essa foi uma dose rasa, porém eficaz, da vida em mim.

Eu abri meus olhos hoje e vi meus pensamentos, tomando cada um, o seu devido lugar. Sorri. Cantei. Fui feliz hoje.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Precisamos conversar

Faz tanto tempo que sinto a mesma dor e nunca soube ao certo qual era a causa. Percebei então, que havia uma raiz profunda de mágoa e amargura crescendo em mim. 

Um contraste se fez perceber diante dos meus olhos. Como posso amar tanto que tem me feito tão infeliz?

Por que não olha nos olhos? Me tornei algo tão ruim aos 24 que não mereça teu afeto? Sou teu maior desastre? 

Eu cansei de me sentir errada e tomar para mim a culpa natural por ser filha. Tenho muitos pecados para pagar.

Hey, quando foi que se tornou tão difícil quebrar o silêncio? Quando foi que me tornei menos importante na sua vida?

Me pergunto se o remédio é a distância, ou o tempo, ou o perdão. Tem flores murchando nesse jardim. Essas flores são tuas. Não vou tentar regá-las sozinha. Não mais. Preciso buscar um jardim só meu.

Eu interpreto teu rosto enrugado como um aviso de que não vale mais a pena insistir. Somos duas almas incompatíveis.  

Te amo tanto, mas odeio tuas atitudes, e sei que sentes o mesmo de mim. Esse é o nosso impasse. Esse é o nosso dilema. Essa é a nossa vida. Um silêncio. 

É sempre inverno sobre nós. Os dias parecem estar mudando, mas continuam do mesmo jeito. Frios, calados.

A primogênita peculiar. Tu é um mistério. Esses teus cabelos grisalhos só me fazer ter medo de não te dizer com que número de forças eu te amo. São todas e ao mesmo tempo as que me restam.

São as nossas indiferenças que me atrasam na vida. Não posso mais ter 5 anos. Mas continuo sendo teu primeiro fruto. 

Preciso ir. Vou te olhar de longe e continuar desejando o que sempre desejei. Que sejas feliz. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Preâmbulo

Você se arrasta por distâncias incalculáveis, você beira o desespero, você pensa em desistir, você acorda naquela manhã cinzenta e sente vontade de ouvir uma música, ler um livro e tomar uma xícara quente e grande de café. Você prefere dormir. Você prefere o amor ao dinheiro.  Você ama alguém. Você finge que não.

Existem muitas perguntas sem respostas na sua vida. Anote em seu caderno e cobre isso da vida. Não é fácil, eu recomendo que sejas forte. Aliás, eu aconselho que sejas persistente. Não se preocupe com essas unhas cobertas de esmalte vermelho, nem com esse batom borrado em seus lábios, nos meus lábios. Cabelo despenteado é poético. Sinceridade é tão crime quanto assassinato. 

Sigo à risca as regras de coesão e coerência do mundo, não faço o mesmo quando se trata dos meus pensamentos. Eles são meus e não há regras. O coração bate forte a cada vibração da melodia, a mente raciocina e os dedos escrevem. É assim que funciona. 

Não dá para confiar na vida. Ela é sagaz. Não dá para confiar na coerência do meu raciocínio. Como em uma história cheia de peripécias, ele reposiciona em questão de milésimos de segundos a ordem das coisas nas quais vale a pena pensar. Penso naquele amor, penso no futuro, penso no que quero ser, penso na morte, penso em como esse texto é complicado de pôr um fim. 

Não quero ser um alicerce, sou tão fraca quanto você. Só deixo fluir o que está aqui dentro, congelado. Um dia de sol derrete o furor da frieza. Vamos ter fé. Um dia a gente aprende. Um dia a gente descobre a receita desse grande bolo cheio de mistérios que é o universo. Um dia essa canção vai dar lugar a outra mil vezes mais bela. 

Enquanto isso, eu vago por entre os dias, que alternam entre tristes e menos tristes, felizes e menos felizes. Um dia, no final da roda sem fim, a gente encontra a resposta universal. Os por quês da vida, da minha, da sua. O que vai mudar eu não sei.